Saicanga

SAICANGA – O PEQUENO GIGANTE.
Por: Rubens Gorben

 
Foto: Rafael Durrégui

Por ser um texto extraído de meu diário de pesca, ele é composto de inúmeras partes curtas. Para se ter um bom entendimento, deve-se ler o mesmo pausadamente... Cada parágrafo é uma linha de raciocínio em um dia diferente.

Abaixo apresento a vocês cerca de um ano inteiro de observações e conclusões pessoais.

Algumas das observações podem ser equivocadas, mas faço questão de mantê-las enquanto eu não encontrar contestações com fundamentos claros.

Nos último anos de pesca em Joinville/SC, tenho notado a presença marcante de um determinado peixe nos rio após as chuvas... Principalmente aquelas que são longas e de médio volume, entre 18 a 22 mm.


As saicangas.

Mostram-se muito agitadas após as chuvas, talvez pelo fato da água ficar semi turva ou com maiores turbulências, venham a prevalecerem sua caçada, dificultando o deslocamento dos pequenos peixes e desprendendo inúmeros insetos das pedras, gravilhas e areia, vegetações ciliares e sobretudo, aqueles que vivem junto as algas ou no substrato lodoso. 

 

 

 

Munida de olhos imensos, sua visão é acuradíssima e ajustada para ser excelente em altas velocidades. Normalmente pensamos que ela errou o bote, mas acredito que ela esteja mais propensa a rejeitar a isca a milímetros, ou a uma fração de segundos antes do fulminante ataque.
Extremamente vorazes, caçam em cardumes de cerca de cinco a dez indivíduos quando adultas, e cardumes que podem chegar a centenas quando juvenis, ou misturadas com outros peixes pequenos da mesma família.

Gostam de iscas que contenham brilhos, muito brilho em cores diversas, são extremamente ariscas e arredias e fazem uma análise muito rápida do alvo antes de atacar.

Tenho notado que no grupo, aquela que encabeça o cardume define o que é ou não comida; todas as outras acompanham seus movimentos. Se ela ataca, vira ou foge, todas as demais a acompanham.

São acima de tudo insetívoras, mudando seus hábitos alimentares no final da primavera e verão, onde passam a preferir iscas maiores e se tornam piscívoras.

Tenho capturado normalmente com ninfas, scuds, larvas e formigas secas e caddis. Porém, nos meses quentes, como disse acima, perseguem pequenos peixes e crustáceos... Mas pela quantidade de erros cometidos nos ataques a estas iscas, acredito que ataquem mais por territorialismo e defesa dos pontos de caça ou quem sabe acasalamento.
 

No momento são meus peixes favoritos. Conseguem me fascinar às vezes mais que o Robalo, pois buscam o que querem e não ficam esperando escondidas. Vivem sempre protegidas pelo cardume e nas raras vezes que vi indivíduos sozinhos, estes nadavam a esmo, perdidos e dando voltas no poço sem se alimentar ou assumir algum posto de caça.

Seus ataques são geralmente próximos à cauda ou pelos flancos. Agarram e nadam pro fundo perpendicularmente à correnteza, sacudindo a presa para corta-la ao meio ou dilacera-la com o grupo.

O melhor local para se alojar o anzol durante sua captura, é no “canivete”, parte anterior do maxilar onde ele se junta a mandíbula. Esta parte da anatomia da saicanga é extremamente vulnerável ao anzol... Uma vez alojado ali, a saicanga tem poucas chances de se desvencilhar da isca.

Ela é extremamente cuidadosa na pegada da isca, tanto que nunca vi nenhuma saicanga embuchada ou encharutada, e uso, muitas vezes, iscas que poderiam ser engolidas por um lambari. Fazem-me lembrar, com isto, os cachorros de focinhos compridos, que não conseguem morder e respirar ao mesmo tempo, daí que tem que morder e rasgar.

Iscas com olhos são uma boa opção para ajuda-las a dimensionar a zona de ataque no seu alvo. Muitos pescadores acham que os olhos nas iscas não têm importância. Eu acho que: Se observarmos a natureza, veremos o contrário.

Por exemplo:

Os Ciclidaes carregam ocelos em suas caudas para simular olhos, talvez para parecerem maiores e/ou confundir o ataque de seus predadores, o mesmo ocorre com muitas espécies de borboletas.


Li um relato de pesca de saicangas uma certa vez, onde os pescadores utilizavam somente os olhos dos lambaris para captura-las... É mole?
Pesca-se o lambari, tira-lhes o olho, ata-se em um anzol e joga-os na saída da corredeira... Saicanga na linha.

Isso explica algumas iscas de fly onde se tem somente; 3-D eyes colados sobre pequenos tufos de calf tail branco e mais nada.

Pode ser que os peixes, dependendo da turbidez da água, meçam suas presas, pelo tamanho de seus olhos.
 
Imagine:

Um jacundá consegue se mimetizar perfeitamente junto a pedras escuras ou solos arenosos. Se somarmos isso a turbidez da água, seja pela corrente ou por detritos em suspensão, até para o peixe de visão mais aguçada seria impossível de ver... O que ele vê então?

Acredito que ele veja somente os olhos, que brilham muito e não mimetizam com o resto do corpo e não têm pálpebras ou cílios para os esconder. Então, para muitos peixes, acredito que os olhos são como alvos... Eles só têm que mirar e atacar.

Bom, ele com certeza, soma isso à pelo menos mais um fator: VIBRAÇÃO. Ele sente o estado da presa... Se estiver em fuga, doente, machucada, distraída ou desorientada. Afinal, mesmo com o fato da velocidade do som poder ultrapassar os mil metros por segundo em baixo da água; são as ondas de choque, apesar de muito mais lentas, que atraem ou afugentam mais o peixe do que qualquer outro fator, pois o órgão sensorial mais desenvolvido do peixe situa-se na linha lateral, de modo que ao provocando um maior “arrasto” ou vibração, na água, pode-se obter mais eficiência na percepção do peixe do que por fatores como sons, cheiros ou sabores. Um exemplo claro disso é a eficiência dos spinners quando comparados as outras formas de pescar para  este tipo específico de pesca e certamente não só a saicanga usa este sofisticadíssimo “sensor” a seu favor.

Ela é astuta. Quando você pisa na água, ela provavelmente já sabe o seu tamanho, o seu peso e a que distancia você está, isso graças às ondas de choque que você gera ao entrar no rio e não ao ruído que você faz. E quando sua isca toca a água, se não tiver cuidado, ela vai estar a mais de mil metros de você.
 

Regras básicas:

Se você estiver longe de corredeiras, silêncio sepulcral é o indicado. Movimentos suaves e minimizados são necessários.

Se for ficar no capim ou no barranco, cuide para que o sol esteja nas suas costas e procure usar roupas de cores neutras, parecidas ao ambiente. Verde, marrom, camuflados...

Se entrar na água, aí o bicho pega... Prepare-se para arremessos looooongooosssss...
Quando elas te percebem, já era, elas fogem geralmente rio abaixo e te mantém dentro de um limite de segurança.
Muitas vezes, quando elas paravam de pegar, era só dar um ou dois passos á frente que conseguiríamos retomar o padrão das batidas.

Tive a oportunidade de ter uma saicanga em meu aquário uma vez... O metabolismo delas é extremamente acelerado, e ela dobra de tamanho em poucas semanas...

Quando ela agarra a sua isca, mesmo uma saicanga pequenina, sua primeira reação é sair correndo lateralmente, em direção ao centro do rio e geralmente no sentido de corrente abaixo, proporcionando uma briga limpa e por ser um peixe de velocidade e não de explosão, não se entrega facilmente.

Seu corpo esguio é uma máquina de uma hidrodinâmica admiravelmente perfeita, sua musculatura é muito flexível e sustentada por centenas de micro-espinhas. Tem formato de torpedo e calda muito furcada... Raramente pula durante uma luta e é pouco adepta a ataques de superfície, os ideais são streamers que fiquem a cerca de dez centímetros de profundidade. Se ficar muito a flor da água, elas erram muito o bote, talvez fiquem desorientadas com a proximidade da luz da superfície.

Outra observação que fiz é que, sempre uma ataca primeiro, tipo uma líder do grupo, se ela erra o bote, outra ataca em seguida e se a presa foge, somente uma a persegue declaradamente, as outras vem atrás aguardando sua vez de atacar.

Em uma ocasião, fiquei com uma Wooly Bugger cercada por um pequeno cardume, quando a líder abocanhou a isca, mesmo já fisgada, as outras vinham agarrar nas partes da isca que estavam ainda pra fora da boca... Selvageria pura... Assim as defino.

Outra observação importante é no que diz respeito à tática utilizada no ataque.
Talvez mais uma curiosidade.

Nós humanos somos canhotos ou destros e temos maior facilidade para executar operações físicas com determinado lado do corpo. Assim como jogadores de futebol tem sua perna boa e sua perna torta para chutar, as saicangas têm lados que costumam usar mais.

Por exemplo:

As saicangas sempre atacam pelo lado esquerdo delas.

Como sei isso?
Não sei, deduzo.
Sempre vejo os ataques e elas investem mais pelo seu lado esquerdo.
Depois venho reparando minhas iscas de pescar saicangas, e as mais usadas, estão todas com as penas quebradas ou cortadas de um único lado... O lado direito da isca.

Até hoje, vi somente uma que atacou pela direita, mas não duvido que algumas sejam “canhotas”...

Portanto; aquela dúvida que sempre temos sobre anzóis “off-set” funcionarem ou não deixo para vocês decidirem e responderem. Mas, acredito piamente que tem uma boa dose de lógica...

a seguir, o resumo de algumas teses que lí e colecionei com o passar dos anos.

 

A base deste documento foi um estudo feito antes da construção Usina Hidroelétrica de Machadinho e a Usina Hidroelétrica de Itá, e sobre o efeito desta obra na ictiofauna da bacia do Alto Uruguai, que compreende grande extenção do RS e do Oeste ao Centro de SC.

No fim me pergunto: Não será a saicanga Joinvilense a Oligosarcus jenynsii ?

Biologia alimentar e reprodutiva da Saicanga.


Introdução

Acestrorhynchus é uma espécie pertencente à família Characidae (Osteichthyes) , conhecida popularmente como saicanga, dentudo ou peixe-cachorro e compreendem aproximadamente 30 sub-famílias. Peixes de forma muito variada; quase sempre comprimidos ou lateralmente achatados. Dulcícolas, de hábitos alimentares diversificados (herbívoros, omnívoros e carnívoros), que os permite explorar uma grande variedade de habitats. Encontrada em arroios, rios e lagoas da região Sul do Brasil (Rio Grande do Sul e Santa Catarina), Uruguai e Argentina (Menezes, 1987).
Embora não seja uma espécie de grande interesse comercial, a sua abundância em algumas regiões faz com que seja bastante utilizada pelas comunidades ribeirinhas como complemento alimentar.

Levando-se em consideração a pequena quantidade de estudos sobre a biologia desta espécie na região sul do Brasil, este trabalho tem por objetivos determinar o hábito alimentar, com suas possíveis variações sazonais, e estudar seu ciclo reprodutivo.


CLASSE OSTEICHTHYES
Sub-classe: ACTINOPTERYGII
Ordem: CHARACIFORMES
Sub-ordem: CHARACOIDEI
Família: CHARACIDAE

Resultados

Para este estudo, foram analisados 246 exemplares dos quais 127 eram fêmeas, 78 eram machos e 41 não puderam ser identificados. A biomassa total capturada foi de 20.898,6g, sendo que o peso dos peixes variou de 0,3 a 330g e o comprimento de 35 a 310mm.

Dos 246 exemplares capturados, 239 foram analisados quanto ao conteúdo estomacal, e dentre esses, 46% se encontravam vazios. No que se refere à composição da dieta alimentar, o peixe-cachorro apresentou-se como carnívoro com tendência à piscivoria. A análise do conteúdo estomacal mostrou que o principal item na dieta alimentar da espécie, segundo os três métodos analisados (gravimétrico, freqüência de ocorrência e freqüência numérica), foi o item “peixe”. O segundo item de maior importância na dieta, também de acordo com os três métodos analisados, foi o item “inseto”.

Outono foi a estação do ano na qual os exemplares capturados apresentaram alimentação mais intensa (1,9%±1,4%). Nas demais estações do ano, os índices de alimentação médios se mostraram bastante semelhantes, variando entre 1,4% e 1,3% do peso corporal.

A proporção sexual para o período total de coleta foi de 1,6 fêmeas: 1 macho.

Quanto à dinâmica reprodutiva, o peixe-cachorro apresentou desova parcelada, pode-se sugerir que as desovas de concentram-se nas estações de inverno e primavera.

O comprimento da primeira desova observado foi de aproximadamente 164mm tanto para machos quanto para fêmeas.
Em algumas localidades foram verificados tamanhos de primeira desova diferentes para machos e fêmeas, com valores de 117mm e 136mm respectivamente.

A fecundidade absoluta média encontrada foi de 20.727 ovócitos, sendo que os valores mínimo e máximo observados foram de 3.000 e 59.760 ovócitos, respectivamente.

Fecundidade relativa média foi de aproximadamente 182 ovócitos/g de peixe.

Discussão

As fêmeas apresentarem taxa de crescimento maior que os machos e, como conseqüência, atingiram comprimentos superiores para a mesma idade.

Apesar de se esperar encontrar a proporção sexual de 1:1 nas populações de peixes, em Characidae normalmente é observada maior proporção de fêmeas.

A espécie apresenta hábito alimentar carnívoro com tendência à piscivoria, sendo que a maior atividade alimentar foi observada na estação do outono, período que antecede o pico de atividade reprodutiva da espécie.

No trabalho realizado por Hartz et al. (1996), a espécie apresentou maior atividade alimentar nos meses de novembro e dezembro (correspondente à primavera e início do verão) e de maio e junho (correspondente ao outono).

Os animais tenderiam a se alimentar mais antes e depois do período reprodutivo.

A espécie apresenta longo período reprodutivo, pois diversas fêmeas desovam em períodos diferentes. Apesar disso, desova dois lotes de ovócitos, sendo que o primeiro é o maior.


título original: Biologia alimentar e reprodutiva do peixe-cachorro (Oligosarcus jenynsii Günther, 1864) na região do alto rio Uruguai - Brasil
Samara Hermes-Silva*, Samira Meurer e Evoy Zaniboni Filho Laboratório de Biologia e Cultivo de Peixe de Água Doce, Universidade Federal de Santa Catarina. Rodovia SC 406, nº 3532, Lagoa do Peri, 88066-292, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. Autor para correspondência: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Referências
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jenynsii (Günther, 1864) da Lagoa das Custódias,
Tramandaí, RS, Brasil (Characiformas, Characidae). In:
VIII SEMINÁRIO REGIONAL DE ECOLOGIA, 1996.
Resumos... São Carlos: PPG-ERN/ UFSCar, 1996. p. 201.
HAHN, N. S.; DELARIVA, R. L. Métodos para avaliação
da alimentação natural de peixes: o que estamos usando?
Interciência, Caracas, v. 28, n. 2, p. 100-104, 2003.
HAHN, N. S. et al. Ecologia trófica. In: VAZZOLER, A.
E. A. de M. et al. 1997. A planície de inundação do Alto Rio
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HARTZ, S. M. et al. Dinâmica da alimentação e dieta de
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HARTZ, S. M. et al. Reproduction dynamics of Oligosarcus
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Sul, Brazil (Characiformes, Curimatidae). Rev. Bras. Biol,
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HYSLOP, E. J. Stomach contents analysis – a review of
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MENEZES, N. A. The food of Brycon and three closely
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MENEZES, N. A. Três espécies novas de Oligosarcus
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VAZZOLER, A. E. A. de M. Biologia da reprodução de peixes
teleósteos: teoria e prática. Maringá: Eduem, 1996.
SUZUKI, H. I.; AGOSTINHO, A. A. Reprodução de
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A.; GOMES, L. C. (Org.). Reservatório de Segredo: bases
ecológicas para o manejo. Maringá: Eduem, 1997. cap. 9,
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ZANIBONI-FILHO, E. et al. Monitoramento e manejo da
ictiofauna do alto rio Uruguai - Espécies migradoras.
Relatório final. Florianópolis: Gerasul, 2000.
ZAVALA-CAMIN, L. A. Introdução aos estudos sobre
alimentação natural em peixes. Maringá: Eduem, 1996.
Received on November 07, 2003.
Accepted on March 05, 2004.

Mais observações pessoais.

abaixo o que pude acompanhar durante o ano com as saicangas, pesquei-as com varas #2 , #4 , #5 e #6...
se eu tiver que escolher uma única vara para ir pesca-las escolheria uma boa vara #5, não é pelo tamanho deste peixinho, como vcs devem imaginar, e sim para poder levar até eles em grandes arremessos (acima de 20 metros geralmente, para se pescar com conforto), iscas lastradas e algumas vezes de volume relativamente grande.
Hoje as “caço” na maioria das vezes com uma vara #4, mas no inverno, sinto necessidade de uma vara um pouco mais potente.

Vale ressaltar aqui, que durante o outono, a pesca da saicanga pode ser prejudicada pelos robalos pequenos (+- 15 a 28 cm) que sobem os rios com certa intensificação alimentar, não que isso seja ruim... mas é comum você ir pescar saicangas e voltar "robalado" pra casa. 

 


 

Já na primavera... voltar "lambarizado" pode se tornar uma realidade no mínimo plausível...

Outono

 

Primeiro pico alimentar
Pré-reprodução
Pesca de grandes indivíduos acima de 25 cm

Extremamente ariscas
Pouco seletivas
Trabalho: de nenhum a muito rápido
Varas #5 ação média rápida. Linhas flutuantes, leader flutuante e tippet flutuante ou sinking.

Cardumes menores em todo o rio, se destacando as saídas de corredeira, para os maiores exemplares, no limite ente e a rápida e o redemoinho da lenta...,exatamente onde a corredeira freia e faz seu canal no poço principal. No começo da manhã, meio do dia e final da tarde... Durante o resto do dia, procurar próximo ao capim, nas sombras. E demais estruturas...

Iscas mais eficientes: Wooly bugger, caddis ao final da tarde, pequenas nymphas de cabeça dourada, Cockroach grizzly e marrom, wooly bugger várias cores, EP minnow pequenas várias cores.

Menor anzol: #16 (tente fazer streamers deste tamanho... Não irá se arrepender).
Maior anzol: #8


Inverno

Primeira desova - Reprodução
Pesca de grandes indivíduos
Não raramente ultrapassam os 30 a 35 cm.
(a saicanga começa a desova quando as águas atingem temperaturas inferiores a 18°C)

Extremamente ariscas
São seletivas em determinados dias.
Trabalho: rápido, imitando fuga.
Varas #6 ação média rápida, linhas flutuantes com leader sinking.

Cardumes pequenos em todo o rio, se destacando nas saídas de corredeira, para os maiores exemplares, no limite ente e a rápida e o redemoinho da lenta, exatamente onde a corredeira freia e faz seu canal no poço principal e em suas zonas periféricas.

No começo da manhã, meio do dia e final da tarde... Durante o resto do dia, procurar próximo ao capim, nas sombras.
Nesta época é possível ter ataques fulminantes na superfície... Particularmente nunca tive um, mas já as vi atacar iscas de bait na superfície, quase como se fossem traíras.

Iscas mais eficientes: Grandes nymphas de cabeça metálica, emergers ao final da tarde, Cockroach grizzly em marrom e amarelo, chartreuse ou rosa; Wooly bugger preta e em tons de verde oliva, EP minnow pequenas em vermelho e branco.
Maior produtividade com as nymphas, mas elas devem ser trabalhadas como streamers... Pequenos e enérgicos toques combinados com recolhimento extremamente lento, variando ao rápido.

Menor anzol: #12
Maior anzol: #6


Primavera

Segunda desova – Reprodução

Desova da sobra das ovas do inverno.
Pesca de pequenos e médios exemplares aproximadamente: 16,4 cm

Comportamento pouco arisco. (facilidade de capturar mais de 10 indivíduos no cardume)
Seletivas. Iscas pequenas.
Trabalho: de nenhum a muito rápido
Varas:#3 ou #4 ação média rápida ou progressiva. Linhas flutuantes, leader flutuante e tippet flutuante ou sinking.

Preferência por locais claros, rasos e na sombra com corrente relativamente lenta. Cardumes de vários à centenas de elementos. As maiores ficam em pequenos grupos. Geralmente as menores se localizam próximas ao capim e as maiores, um pouco mais afastadas em direção ao centro do rio. A disputa de alimento é grande junto aos lambaris, que também estão muito ativos.

Iscas mais eficientes: Wooly bugger, caddis ao final da tarde, formigas secas com asas brancas e scuds nas bordas de corredeiras rasas. Pequenas nymphas de cabeça dourada.


Menor anzol: #16 (geralmente evita o lambari)
Maior anzol: #10


Verão

Segundo pico alimentar
Pós-reprodução
Exemplares tamanho variado entre 8 a 25 cm

Um pouco mais ariscas
Nada seletivas...
Trabalho de isca: toques curtos e contínuos, simulando uma fuga.
Varas #4 ou #5 ação média rápida ou progressiva, linhas flutuantes com leader sinking.

Cardume de centenas de indivíduos circulando em todas as localidades do rio, se destacando as entradas e saídas de corredeiras, para os maiores exemplares. Desde o limite ente a rápida e o redemoinho da lenta, na saida, exatamente onde a corredeira freia e faz seu canal no poço principal, ou de um a dois metros antes da corredeira. No começo da manhã, meio do dia e final da tarde... Durante o resto do dia, procurar próximo ao capim, nas sombras.

Iscas mais eficientes: Cockroach grizzly e marrom, wooly bugger preta e vermelha, EP minnow pequenas, scuds, wooly worm.
Iscas que nunca testei mas acredito serem extremamente eficientes nesta época: madame X e grassroper e cupins...

Anzol minímo: #14 – (ajuda a evitar o lambarí)
Anzol máximo: #8

 
CARDÁPIO DO ANO - PREFERENCIAS

1° lugar: lambarís e alevinos

Foto: Rafael Durrégui

 2° lugar:  crustáceos

3° lugar: odonata, zigópiteras, mayfly, stonefly.


Foto: Rafael Durrégui

4° - secas: Emergentes em geral, secas tradicionais e terrestres em geral, em especial, grilos e grandes formigas.

Leaderes e tippets

Leader

Tenho usado um leader bem diferente para os streamers em quase todas as minhas pescarías.
A região do Butt é revestido com uma tintura de cobre, que o deixa pesado, afundando-o antes do tippet e fazendo as mosquinhas nadarem de forma mais estável e bem rente ao fundo. Outra forma de se obter um efeito parecido é fixando pequenas bolinhas de latão ou cobre ao longo do butt...
Não uso mais chumbo e desaconcelho seu uso, por ser extremamente tóxico e cumulativo em nosso organismo bem como ao organismos dos peixes.

Uso outros dois leaderes também. uma desenhado pelo Dave Whitlock, na sua popular receita 60/20/20, que é excelente para pequenos streamers e grandes nymphas e outro do George Harvey, sem butt... (pode parecer estranho um leader sem o butt... mas este é espetacular para as moscas secas.

Tippets

Quanto ao tippet, em geral uso 0,18mm em fluorcarbon, posso descer até o 0,12mm mas subir, só em águas muito turvas ou se eu não tiver outro.

Minhas moscas preferidas para este peixe:

odonatas oliva: # 8, #10 e #12

wooly bugger: #8, #10 e #12

ep minnow: #6, # 8 e #10

cockroach: #12,  #14 e #16

Bead Head Prince e demais ninfas de cabeça dourada # 12 e #14... eficiencia garantida.

Mais observações pessoais e dicas sobre estas moscas:

Cockroach... Gostosa de montar e mais ainda de pescar.
ate em tamanhos do #12 ao #16 - A saicanga vai dar uma dentada só...

Wolly Bugger... Preta com palmer grizzly, oliva ou preta com palmer vermelho

Utilize em seus streamers anzóis longos 3X e 4X e posicione o bend do meio da mosca para trás... lembre-se: A saicanga não ataca pela cabeça e sim do meio do corpo para trás. Outra observação é: por vezes, a saicanga está numa certa altura da coluna d’água e vê a presa passar abaixo dela, ela vai buscar o lombo para morder, bem junto a Segunda nadadeira dorsal, daí que podes montar algumas moscas para nadarem invertidas.

Abaixo, coloco as moscas que acredito serem eficientes mas não cheguei a testá-las bem:

Micro-Streamers

Dia claro, fundo escuro: isca escura.

Dia claro, fundo claro: isca clara.

Dia nublado: iscas escuras ou pretas

 

Águas turvas: iscas em cores vivas e intensas.

Por enquanto é isso e fica o pedido para irmos completando essa matéria com os amigos do fórum.